quinta-feira, 16 de Outubro de 2008
Alô, Cofidis? Daqui Universidade de Lisboa...
Este ano, a Faculdade de Letras podia não ter aberto. E nós não podemos querer uma faculdade que não tem dinheiro para pagar a professores, que é incapaz de gerir os horários das cadeiras, que não tem funcionários suficientes e que tem alunos inscritos em cadeiras para as quais ainda não há professores.
Mas temos que pagar 900€, mesmo que as cadeiras estejam todas sobrepostas ou que ainda esperemos pela chegada de um professor prometido.
Este mês o Governo vai aprovar um novo Orçamento de Estado e a fatia que cabe ao Ensino Superior é insuficiente e diminuiu 25% desde 2005. A Universidade de Lisboa, apesar de estar próxima da ruptura financeira, recebe apenas 2% do bolo. Juntamente com as propinas, o valor transferido pelo Governo não chega sequer para pagar ordenados de professores e funcionários (seriam necessários pelo menos 109 milhões de Euros, mas a UL recebe apenas 103 milhões). Assim, a Universidade de Lisboa vê-se obrigada a diminuir o número de professores e funcionários, o que se reflecte obviamente na nossa vida de todos os dias.
E para o ano? Como é que vai ser? A tendência é para piorar e a única solução à vista é a UL esgotar os saldos que ainda tem disponíveis, sendo obrigada a tomar medidas de comercialização do ensino e de desqualificação do corpo docente.
E nós? O que é que vamos fazer? As propinas subiram de 700 para 900 Euros de um ano para o outro mas as condições não melhoraram (pelo contrário!)e a Faculdade tem cada vez menos dinheiro. E nós não podemos estudar assim! Queremos horários compatíveis e que não nos impossibilitem de frequentar as aulas, queremos professores para as cadeiras que a faculdade oferece, queremos funcionários suficientes para as necessidades de tod@s!
Tudo isto está a acontecer AGORA! É AGORA que nos podemos juntar e dizer que queremos uma Faculdade diferente, com espaço e tempos para tudo e com tudo a que temos direito! Vem fazê-la connosco!
Há ideias novas entre Letras
Algumas já cá andávamos. Outros e outras acabámos de chegar. Mas estamos aqui e não queremos que a vida aqui continue assim. Queremos pensar a Escola de outra forma, que fuja à norma-tiva, que se surpreenda e aprenda com todos e todas que a queiram fazer connosco.
Há vida, música, debate, controvérsia, agitação, ideias e mudança que não se dizem entrelinhas... Dizem-se entreletras.
Vem dizê-las connosco!
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